10 - CÚMPLICE DO AUTOR - Leitura Crítica


A primeira leitura da crônica trata apenas tomar conhecimento do assunto, num breve momento.Lemos sem compromisso, sem nada esperar. A partir daí, o texto nos atingirá ou não. De acordo com a intensidade das palavras repercutidas em nós, faremos uma nova leitura, voltaremos atrás em um parágrafo, paramos um instante para avaliar. Aí começa a leitura propriamente dita, quando substituímos aquela primeira leitura "ingênua" pelo senso crítico.

Descobrimos, então, vários registros no discurso, interpretando cada passagem até alcançar uma interpretação global que, por fim, nos conduz para uma determinada visão do mundo. O leitor percebe o significado da crônica, que só então começa a ser valorizada, pois, uma vez ultrapassado o consumismo imediato, ela nos solicita a participar como seu co-autor ou como seu cúmplice, papéis que nos levam à fruição total do conteúdo do texto.

A carga emotiva da crônica atinge o leitor com maior profundidade, fundindo autor e leitor numa única entidade. O cronista fala por nós aquilo que não temos a chance de dizer. É o intérprete qualificado para nos devolver aquilo que a realidade sufocou. (1)

1- Sá, Jorge de. A Crônica. Ática, SP, 1985, pág.79.

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